Digite uma ou mais palavras chave e clique em "buscar":
![]() |
Durante o mês de junho, as entidades que compõem a Frente visitaram todas as regiões da Emater para debater com os trabalhadores a situação da empresa e propostas para o seu futuro. Destes encontros, que reuniram cerca de 500 colegas, nasceu o documento com quatro compromissos entregue no seminário aos três candidatos ao governo do Estado que compareceram.
Os candidatos a governador Tarso Genro e José Fogaça, e o candidato a vice-governador de Yeda Crusius, Berfran Rosado, receberam das mãos do presidente da Asae, Gervásio Paulus, o documento. Ouça aqui as reivindicações feitas aos candidatos. Todos saudaram a iniciativa das entidades e se comprometeram com as propostas apresentadas.
Tarso Genro salientou que as propostas estão em consonância com as demandas dos agricultores familiares, colhidas nas caravanas realizadas pelo Interior para compor o seu programa de governo. “As demandas colocadas aqui convergem com as necessidades do estado. Vamos incorporá-las ao nosso programa e assumir o compromisso de iniciar a contratação de servidores no nosso primeiro ano de governo”.
Ouça aqui o depoimento de Tarso Genro.
José Fogaça disse que a Emater é a cara do governo no campo. Após resgatar os investimentos do PMDB na Emater, quando governo, destacou seu compromisso em recompor o orçamento aos níveis de 2006, inclusive com revisão monetária, e em restabelecer o critério de escolha do diretor técnico por eleição. “Não poderia ser diferente. Seria negar o nosso acervo de experiências com a Emater. A extensão rural tem um papel importante nos novos rumos que vamos viver no Brasil”.
Ouça aqui o depoimento de José Fogaça.
![]() |
Berfran Rosado explicou que seu o plano de governo está em construção e os servidores estão convidados a contribuir. Segundo ele, as propostas apresentadas devem ser consideradas. “A questão não é como fazer, isso todos sabem. Mas como fazer. Estou convencido de que hoje estamos num patamar muito maior do que em qualquer outro tempo da história. Estamos prontos para fazer esse debate e encaminhar as propostas, pois estamos em outras bases”.
Ouça aqui o depoimento de Berfran Rosado.
Os candidatos receberam de Zacheu Canellas o seu livro Abrindo a porteira, lançado no seminário, e a camiseta da campanha SOS Emater.
Entidades defendem maior investimento
Na abertura do seminário, os representantes das entidades que compõem a Frente de Defesa da Extensão Rural (ASAE, SEMAPI, SENGE, SINTARGS, FAZER, ASAPAS, AESR, AGC) destacaram a urgência de um plano de fortalecimento da empresa e a importância da união de todos em prol deste objetivo.
Também participaram da mesa de abertura o diretor da Emater Romeu Rodhi, o delegado do MDA/RS, Nilton Pinho de Bem, e o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, deputado Edson Brum.
Depoimentos de agricultores emocionam
No início da tarde, após a entrega de alimentos trazidos pelos trabalhadores ao Banco de Alimentos, o seminário foi retomado com depoimentos de agricultores familiares. O produtor Eronito Vencato, de Tapes, ressaltou que sem a extensão rural os agricultores não sobreviveriam no campo. “Estamos vendo a falta de profissionais em muitos municípios. Os técnicos têm que se desdobrar. Muitas vezes deixam suas famílias de lado para estar lá nos atendendo. A Emater faz parte da família do produtor”.
Salvador Rosa da Silva, o Dodô, da zona sul de Porto Alegre, iniciou dizendo que não está acostumado a falar em público, mas que isso era uma coisa que os técnicos da Emater tinham lhe ensinado: a falar. “A gente é especialista em cangar burro na carroça ou arrancar tronco, o que faltava era valorizar a nossa produção. Através dos cursos e palestras do pessoal da Emater começamos a valorizar o trabalho da gente. A classificação dos produtos foi muito importante. A Emater mantêm viva a zona rural de Porto Alegre, se não teria tudo virado loteamento. Graças à Emater conseguimos ter um equilíbrio dentro da nossa propriedade”.
Saramago, meu colega
Com uma fala bastante bem humorada, o engenheiro agrônomo, extensionista da Emater por mais de 40 anos, Zacheu Canellas, encerrou o seminário. Disse que tudo que tinha planejado falar já havia sido dito pelos representantes das entidades. Então, arrancando muitos risos da platéia, discorreu sobre momentos importantes vividos na Emater que estão descritos em seu livro Abrindo a porteira – uma memória da extensão rural no Rio Grande do Sul, distribuido gratuitamente a todos os presentes.
Segundo ele, sua intenção com o livro é propor aos extensionistas uma maior reflexão sobre o seu trabalho. “Saramago, meu colega escritor (risos), dizia que estão faltando duas coisas para o ser humano: filosofia e razão. Nós não temos mais tempo para pensar. Temos que fazer, fazer. Precisamos resgatar nossa capacidade de meditar sobre as causas e conseqüências dos fatos. Assim como, cada vez se usa menos a razão como faculdade para conhecer as idéias. Isso falta muito para nós e também para os dirigentes de nossa empresa”.
Zacheu deu como exemplo as 500 demissões feitas no governo Yeda. “Na época fiquei pensando como pode um dirigente simplesmente descartar todas essas pessoas. Foram descartadas a história, a inteligência e a capacidade de 500 trabalhadores”.
Para finalizar, leu o último trecho da apresentação de seu livro, escrita por Gervásio Paulus e Paulo Mendes: “Obrigado, Zacheu, por mais esta porteira que abres com este livro. Ele nos permite seguir acreditando no potencial transformador que pode e deve estar presente no caráter educativo da extensão rural. Esperamos que sirva também de inspiração para outros tantos extensionistas “escribas” lançarem-se ao desafio de também abrir a porteira de suas próprias memórias e registra-las em forma de livro, contos ou crônicas”.
Por fim, as entidades saudaram os presentes e o presidente da Asae conclamou a união de todos. “Contamos muito com a dedicação e empenho de todos. Daqui nós só vamos para frente. Nós vestimos a camiseta da extensão rural e vamos caminhar de mãos dadas em defesa do nosso trabalho”.
Veja as propostas entregues aos candidatos ao governo do Estado do RS:
1. Compromisso com a ampliação de recursos
Propomos: a correção dos recursos repassados via SEAPPA, a partir dos valores de 2006,corrigido pelo IGPM, passando para R$ 150 milhões a partir de 2011. Ao mesmo tempo, para a manutenção do trabalho e da capacidade operativa das unidades municipais, é necessário o cumprimento integral dos termos atuais dos convênios com as Prefeituras Municipais, via FAMURS. Em nível federal, é fundamental que haja um aporte de recursos não apenas para a prestação de serviços, via chamadas públicas, mas também para apoiar e ampliar a estrutura operativa e a contração de recursos humanos. Nesse sentido, propomos a criação de uma lei que destine o equivalente a 10% dos recursos do PRONAF para a Assistência Técnica e Extensão Rural.
2. Compromisso com a recomposição do quadro funcional, seguindo os critérios e a proporcionalidade do Quadro de Lotação
A Emater-Ascar é a principal entidade executora de de programas e projetos do governo do estado e do governo federal no meio rural do RS. Isso inclui tanto as atividades de Assistência Técnica e Extensão Rural propriamente ditas, quanto os serviços de Bem-Estar Social e de Classificação e Certificação, além das atividades de suporte e apoio. Propomos: a contratação de 500 colegas, no primeiro ano de governo, para recompor a capacidade operativa de trabalho, que foi reduzida com as perdas de colegas que saíram ou foram demitidos nos últimos anos.
3. Compromisso com processos e métodos participativos no trabalho:
Para promover o desenvolvimento local é imprescindível a participação ativa dos principais atores locais no planejamento. É fundamental reforçar o compromisso com o uso de metodologias e processos participativos, tanto em âmbito de planejamento interno quanto na definição das principais diretrizes e ações a serem pactuadas com os atores envolvidos e as entidades parceiras no trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural.
4. Compromisso com o debate sobre o futuro institucional da Ascar-Emater, com a efetiva participação dos trabalhadoresda casa nas decisões estratégicas
Propomos:
A realização de um estudo aprofundado, com a criação de um grupo de trabalho, com a participação paritária das organizações dos funcionários, sobre as alternativas possíveis de alteração do formato jurídico e as suas implicações (jurídicas, administrativas e trabalhistas), tanto do ponto de vista da situação da empresa quanto dos seus empregados. Este grupo de estudos deverá ter as condições necessárias para realizar o trabalho, inclusive, se for o caso, para conhecer a realidade e a experiência de outras instituições que passaram por um processo semelhante. Desde já, cabe ressaltar que qualquer alteração na natureza jurídica da instituição Ascar/Emater deverá levar em consideração e, mais que isso, preservar as conquistas dos trabalhadores, entre as quais citamos a existência de um Fundo Assistencial de Saúde (FAS) e da Fundação Previdenciária (Fapers).
Associação dos servidores da ASCAR-EMATER/RS
2008 - Direitos reservados
Powered by HTStudio