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Seminários sobre Agroecologia

Seminários sobre Agroecologia começaram nesta terça-feira (8)

A transmissão de conhecimentos, a troca de experiências e a busca de novas tecnologias que garantam alimentos saudáveis foram destacadas na manhã desta terça-feira, 8, em Porto Alegre, durante a abertura do X Seminário Internacional e XI Seminário Estadual sobre Agroecologia. Com o tema central Produzindo sem degradar, o evento será realizado até quinta-feira, 10, no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, e reúne mais de 800 pessoas, entre estudantes, pesquisadores, técnicos e agricultores do RS e de outros 12 estados, além de países vizinhos.

Ao palestrar sobre o tema central do evento Produzindo sem degradar, a agrônoma Ana Maria Primavesi, com seus mais de 80 anos de idade, deu uma aula de conservação do solo. “Somente o solo vivo produz”, afirmou, ao salientar que a terra é a base da nossa vida. “Para produzir, o solo vivo precisa de microorganismos que alimentam os nutrientes que, por sua vez, alimentam as plantas”, explica. Para Primavesi, quanto mais diversificada a microvida do solo, maior a fertilidade”.

Primavesi destacou também a importância do agricultor ser um observador do solo e da sua propriedade. “O problema é pensar só o que se vê no momento”, analisa a agrônoma, ao criticar o modelo de agricultura “insustentável, que usa adubo, quando, por exemplo, as minas de fósforo, na África, estão esgotadas, ficando cada vez mais caro. Se ficarmos com esse tipo de produção, não vai dar”, lamenta.

Durante sua palestra, Primavesi reforçou a importância dos nutrientes no solo, “que não é apenas suporte das plantas, mas vida pra elas”, ou seja, “a parte de cima da planta depende da parte de baixo, das raízes”. Ela observou ainda o aumento do desmatamento, as queimadas, o desaparecimento da água e a população, que dobra a cada 20 anos. “De onde tirar alimentos para essa gente”, questiona.

Segurança Alimentar

O evento prosseguiu à tarde, com o subtema Agroecologia e o fortalecimento da economia local, quando a nutricionista da Emater/RS-Ascar e presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Regina Miranda, palestrou sobre Alimentação escolar e agricultura familiar. Em seguida, Cláudia C.Flores, da Universidade de La Plata (Argentina), falou sobre Construcción y evaluación de un proceso de transición agroecológica con horticultores familiares de la zona de La Plata.

A produção orgânica de maçãs em Santa Catarina: uma abordagem científica, ecológica e econômica foi apresentada por Eliete de Fátima Ferreira da Rosa, da Udesc (SC), assim como a experiência de Diversificação e transição agroecológica como alternativa de renda na agricultura familiar, em região fumicultora do Rio Grande do Sul, pelo agrônomo da Emater/RS-Ascar de Ibarama, Giovane Ronaldo Rigon Vielmo, que estava acompanhado do casal agricultor Cláudio Horácio Wagner e Marilisse Dagort Wagner.

Oportunidades

“O seminário é uma oportunidade de construção de ideias que contribuam na produção sem degradação”, afirmou a diretora técnica da Emater/RS, Águeda Marcéi Mezomo. “Nesses 11 anos, registramos avanços, mas é preciso refletir sobre as ações desenvolvidas no campo, a partir do debate de novas ideias e da valorização e fortalecimento da agricultura familiar”, analisou a diretora. Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ivar Pavan, discutir a agroecologia é cada vez mais atual, pois as estiagens e enxurradas revelam o desequilíbrio ambiental. “É preciso incentivar pesquisas que favoreçam a quem produz de forma agroecológica, até mesmo para baratear os custos”, observa Pavan.

O chefe adjunto da Embrapa Clima Temperado, José Dias Viana Filho, citou a estação experimental, montada há dois anos na unidade em Pelotas, e a criação de um grupo de desenvolvimento de políticas de gestão ambiental, e afirmou ser “possível produzir sem degradar”. Já o delegado regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Nilton Pinho de Bem, diz acreditar que a ideia tema do evento deste ano se converta em ações concretas, “ampliando a capacidade de convencimento, além dos interesses individuais”. Para ele, as alterações climáticas mostram o resultado de ações não conservacionistas do planeta.

Manter os seminários como instrumento de educação ambiental, avançando na compreensão de conceitos multidisciplinares da agroecologia, foi um dos objetivos citados pelo coordenador do evento, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Dulphe Pinheiro Machado Neto. Para ele, é possível produzir sem degradar “com consciência e ganho suficiente para manter o agricultor no campo”. Além disso, destaca Dulphe, “a valorização das experiências de jovens pesquisadores é fundamental para a continuidade do projeto e para manter a busca de um mundo melhor para nossos filhos e netos”.

Fonte: Adriane Bertoglio Rodrigues/Emater/RS-Ascar - EcoAgência Foto: Kátia Marcon, Emater/RS-Ascar

 

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